Prontuário · RNDS
A rede pública já recebe os dados da saúde suplementar. O paciente ainda não os leva consigo.
A RNDS virou o maior repositório longitudinal de saúde do país. A interoperabilidade entre sistemas avançou; a interoperabilidade a serviço do paciente ainda não.
Publicado em 24/10/2026.
1. O que é a RNDS
A Rede Nacional de Dados em Saúde é a plataforma do Ministério da Saúde para troca de dados entre estabelecimentos de saúde. Ela usa o padrão HL7 FHIR, com perfis brasileiros, e alimenta o Meu SUS Digital, onde o cidadão consulta exames, vacinas, atendimentos e prescrições. O Decreto 12.560/2025 organiza a RNDS dentro da estratégia de SUS Digital.
2. A saúde suplementar entrou na rede
Desde outubro de 2025, os dados de atendimentos da saúde suplementar enviados no padrão TISS passaram a ser integrados à RNDS. Em janeiro de 2026, a imprensa especializada reportava cerca de 2 bilhões de registros enviados. Na prática, o histórico de utilização de quem tem plano de saúde começa a existir também na rede pública.
3. O que funciona e o que falta
| Camada | Situação em out/2026 |
|---|---|
| Padrão técnico | Definido: FHIR com perfis brasileiros |
| Envio dos estabelecimentos para a RNDS | Em operação no SUS; saúde suplementar via TISS desde 2025 |
| Consulta pelo cidadão | Meu SUS Digital, só leitura |
| Exportação estruturada pelo cidadão | Limitada (o certificado de vacina é a exportação confirmada) |
| Acesso por aplicativo escolhido pelo paciente | Não previsto no Decreto 12.560/2025 |
| Prontuário clínico completo (evolução, laudos, descrição cirúrgica) | Continua na instituição que tem a guarda |
4. Interoperabilidade a serviço do paciente
Interoperar sistemas não é o mesmo que devolver o prontuário a quem é o dono. Em outros países, o passo seguinte foi obrigar a abertura para o paciente: nos EUA, as regras contra bloqueio de informação; na Índia, a ABDM, com centenas de milhões de IDs de saúde vinculados a registros; na União Europeia, o European Health Data Space. No Brasil, essa etapa depende de regulamentação da portabilidade pela ANPD e das portarias que detalham o SUS Digital.
Enquanto isso, a ponte entre SUS e saúde suplementar é o próprio paciente: ele pede seus documentos às instituições pelos canais da lei e consulta o que está na RNDS. Uma camada que organize esse histórico em FHIR com os perfis brasileiros fica pronta para se conectar à RNDS assim que o acesso for aberto — sem redesenho.
5. Onde entra a PreVita
A PreVita normaliza dados assistenciais e administrativos (TISS, TUSS, CID-10, CNES) em FHIR R4 e está construindo a linha do tempo controlada pelo paciente, com consentimento verificável para cada compartilhamento. Detalhes da arquitetura em /tech/consentimento.
Perguntas frequentes
O que é a RNDS?
A Rede Nacional de Dados em Saúde é a plataforma do Ministério da Saúde que integra dados de saúde de estabelecimentos públicos e privados, usando o padrão internacional HL7 FHIR. Ela alimenta o Meu SUS Digital, onde o cidadão consulta parte do seu histórico.
Os dados do plano de saúde vão para a RNDS?
Sim. Desde outubro de 2025, informações de atendimentos da saúde suplementar enviadas no padrão TISS passaram a ser integradas à RNDS. Em janeiro de 2026 a imprensa especializada reportava cerca de 2 bilhões de registros da saúde suplementar enviados.
Um aplicativo escolhido pelo paciente pode acessar os dados da RNDS?
Ainda não. O Decreto 12.560/2025 organiza a RNDS e o SUS Digital, mas não prevê o acesso aos dados por aplicativos de terceiros autorizados pelo paciente. Hoje o caminho é o próprio cidadão consultar o Meu SUS Digital.
Fontes
- Decreto 12.560/2025
- Meu SUS Digital — perguntas do cidadão
- AAM: RNDS integra atendimentos públicos e planos privados (11/08/2025)
- Mobile Time: dados da saúde suplementar enviados ao SUS (28/01/2026)
- DLA Piper: HHS e bloqueio de informação em saúde (set/2025)
- Governo da Índia (PIB): ABDM (jul/2026)
- Regulamento (UE) 2025/327 — European Health Data Space